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» Veículos Eléctricos » Veículos Eléctricos de Alimentação Directa (VEAD)

» Conceitos


Esta categoria ou tipo de Veículos Eléctricos tem como característica principal a alimentação directa do motor eléctrico, i.e., não existe combustível ou acumulação de energia no veículo.

Podemos agrupar nesta área diferentes veículos como os troleicarros, os eléctricos, os metros e os comboios.

 
» História dos Troleicarros


Herbert von Siemens e Johann Georg Halske em Outubro de 1947 fundaram a “Telegraphen-Bau-Anstalt von Siemens & Halske” com base na ideia de instalarem telégrafos como forma de comunicação acessível a todos. A empresa cresceu tão rapidamente que a expansão para outras áreas da engenharia electrónica seguiu-se e em 1881 a empresa instala na periferia de Berlim o primeiro “electrobus” do mundo. Este equipamento tratava-se de um pequeno autocarro eléctrico de fraca capacidade que recebia a corrente de uma linha aérea. O principal problema era a sincronização entre a corrente da linha aérea e a necessária pelo veículo.
A partir desta experiência e tendo em conta a evolução dos outros meios de transporte a energia eléctrica foi ganhando adeptos e tal como os veículos eléctricos privados no início do século XX, os autocarros eléctricos com alimentação aérea aumentaram e progrediram até que os preços do petróleo caíram e os da electricidade mantiveram-se.
Em França, em 1922, na linha dos eléctricos – tramway – de Enghien-Montmorency começaram a ser colocados trolleybus como experiência que depressa evolíu para a criação de uma linha em Paris, levando a França a aderir a esta tecnologia.

Dada a manobrabilidade dos trolleybus em detrimento dos eléctricos que andavam pelos carris fixos, várias cidades Europeias converteram-se – na Grã-Bretanha, França, Polónia, Espanha e mesmo Portugal – e mesmo nos EUA, onde a conversão estava já a ser feito em grande escala por volta de 1930s. Várias empresas surgiram, como a VETRA em França. A situação no Leste da Europa foi diferente e não se apostou nesta tecnologia. Digamos que para redes pequenas, tipicamente no interior das cidades o trolleybus era considerado o mais indicado e para redes maiores, nas periferias das cidades o eléctrico era ainda o meio utilizado, presumivelmente pelos custos dos investimentos feitos e pela ausência de problemas de tráfego.
Em 1954 as linhas de trolleybus começam a decrescer e as empresas até então altamente bem sucedidas desaparecem e só com o choque petrolífero de 1973 se voltará aos trolleybus, devido ao facto de a electricidade poder ser produzida a partir de outras formas para além do petróleo.

Todos conhecemos a evolução do uso do petróleo e dos veiculos eléctricos colectivos que se reduziram a metros, metros de superfícies, eléctricos, elevadores e comboios. Os trolleys podem ser encontrados ainda a funcionar em Coimbra e em poucas cidades Europeias e pelo mundo fora: Shanghai por exemplo tem o sistema de troleicarros (termo português usado pela primeira vez em 1932, quando se pensou introduzir os trolleybus em Moçambique) mais antigo ainda em funcionamento: desde 15 de Novembro de 1914.

Em Portugal os troleicarros estão presentes desde 1947 e os 55 anos foram comemorados pela Associação Portuguesa dos Entusiastas por Troleicarros em 2002 em Coimbra.

 
» Tecnologia

Não existe nenhuma tecnologia especial usada pelos troleicarros. São simplesmente movidos por um motor eléctrico em que a alimentação não está no interior do veículo. Imagine-se que no sítio da bateria existem apenas os polos e esses polos estão ligados à massa e à corrente (tipicamente 600 to 700 V CC). Daí as duas configurações: um fio ou dois fios, em que no primeiro caso a massa está no chão e o fio no ar tem a corrente e no segundo estão ambos no ar. Existem várias formas de se conectarem os troleicarros às linhas aéreas, das quais destacamos a seguinte:

Esta obviamente usada em hastes fixas e que sejam sustentadas pelo troleicarro, mas também temos aquelas que ficam suportadas no/s fio/s aéreo/s (tipo light rail ou não). Questões importantes são como curvar e agulhar o troleicarro na nova linha aérea e para isso existem um conjunto de soluções: desde sistemas electrónicos ligados aos sinais do troleicarro (pisca para a direita, agulha para a direita...) passando por sistemas de possibilidades mistas em que se pode continuar em frente ou curvar e até sistemas de desligar a energia significando uma mudança de direcção agulhando para outra linha.

A última geração de troleicarros inclua até motors a diesel para eventuais falhas no abastecimento, mas nesse caso a haste era recolhida e o troleicarro passaria a ser um autocarro normal. Aí entramos nos veíulos híbridos.

O light rail referido margialmente acima trata-se de uma sistema semelhante ao metro de superfície, mas a massa está nos carris e a corrente no ar, a haste acenta na parte superior da linha aérea e as molas conferem-lhe a aderência necessária.

 
» Vantagens e Desvantagens

Nos troleicarros podemos apontar as seguintes vantagens:
- emissões directas zero, já que funcionam inteiramente a energia eléctrica.
- possibilidade de emissões zero se a energia eléctrica for gerada a partir de fontes renováveis.
- baixo teor de ruído – travões eléctricos reduzem o “xiar”.
- eficiência de motor eléctrico – não há necessidade de estar a consumir quando está parado e se o veículo estiver equipado com a travagem regenerativa até fornece energia à rede de abastecimento.
- manutenção mais barata, porque não têm necessidade de revisões mecãnicas tão intensivas com os autocarros com motores de combustão interna.
- vida longa – duram até 30 anos contra 20 de um autocarro a diesel
- tecnologia com provas dadas – mais de 80 anos de uso.
- independência dos preços do petróleo, já que a electricidade poderá ser gerada a partir de outras formas.

Como desvantagens podemos apontar:
- o custo dos troleicarros é 1.5 vezes superior ao dos autocarros a diesel
- a rede de abastecimento é bastante cara
- as rotas são limitadas às zonas onde hajam linhas aéreas
- se houver algum problema com a infraestrutura de abastecimento, o sistema pode não funcionar

Como o leitor pode comprovar a extinção das redes de infraestrutura no Porto, em Lisboa e noutras cidades europeias foi tudo menos uma boa medida. Os custos dos combustíveis, a poluição gerada, o ruído dos motores de combustão interna provam que a solução original de andar a electricidade era muito mais acertada e extender de novo a rede é impensável.

Em termos estéticos e de enquadramento na cidade, a vantagem de termos uma cidade sem poluição se sobrepõem de maneira muito mais significativa ao facto de termos ou não fios no ar. E acrescente-se que em termos turísticos é muito mais interessante viajar num eléctrico no que num autocarro de combustão interna.

 
» Alternativas
Os troleicarros competiam com os eléctricos de carris, mas usavam a mesma tecnologia para se abastecerem, por isso a solução inicial de redes locais e de periferia funcionava toda com a mesma base. Nos dias de hoje os metros de superfície estão a levar o velho eléctrico à extinção e o autocarro a diesel está a dar lugar ao autocarro híbrido, a gás natural e ao movido a celulas de combustível – hidrogénio. Em termos de eficiência o motor eléctrico ganha e portanto é a solução a utilizar. A fonte de energia para o abastecimento eléctrico deve provir de um mix híbrido com base no biodiesel ou gás natural no curto prazo, biogás no médio prazo e hidrogénio puro no longo prazo. Os troleicarros serão provavelmente peças de museu até ao dia em que a electricidade de fontes renováveis esteja disponível em quantidades necessárias para que o investimento nas linhas aéras compense a poupança em combustível fóssil.
 
» Bibliografia

- http://usuarios.lycos.es/trolleybus/apetcotcpt.htm
- http://ehgarde.no.sapo.pt/trolleybus/trolleylinks.htm (bonslinks mas não actualizados)
- http://www.amtuir.org/dossiers/transports_urbains/htu_6_trolleybus/htu_trolleybus.htm
- http://homepages.cwi.nl/~dik/english/public_transport/odds_and_ends/troll.html (site com fotos muito interessantes)
- http://www.busstation.net/
- http://www.vcn.bc.ca/t2000bc/learning/etb/trolleybus_essay.html#character

 

 

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